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:Boletim Informativo
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Manual do Produtor

1 - Registro e arquivo de eventos

Registrar e arquivar todos os eventos que ocorrerem na vida dos animais relativos a manejo alimentar, reprodutivo e sanitário de forma segura. Estes registros deverão estar bem organizados para que facilitem a pesquisa e o acesso de futuras auditorias, sejam estas internas ou externas, de autoridades brasileiras ou estrangeiras respectivamente.


2- Manejo de identificação

Importante: durante a identificação do animal, deve-se tomar cuidado com a higiene do local de aplicação do elemento identificador, através da utilização de desinfetante e repelente de ação prolongada, certificando-se que os mesmos não comprometam a leitura do número do brinco. Finalmente, pode-se aumentar a eficiência da assepsia utilizando inseticidas em forma de pasta no macho do brinco.




3- Manejo alimentar

A unidade produtora/produtor deve ter o cuidado de não alimentar seus animais com produtos proibidos de origem animal, tais como: farinha de carne, farinha de ossos, cama de frango e promotores de crescimento (conforme a legislação vigente).

Quando da aquisição de insumos para a alimentação e suplementação, recomenda-se que a unidade produtora/produtor arquive as notas fiscais, ou mesmo xerox destas, para a comprovação na ocasião da supervisão ou mesmo da auditoria.

As pastagens devem ser de boa qualidade e a unidade produtora/produtor deverá informar quais são as espécies de gramíneas e /ou leguminosas, nativas e /ou cultivadas, na sua propriedade.

A preservação das pastagens é fundamental para a obtenção de animais de qualidade. Sendo assim, a manutenção das pastagens deve ser uma preocupação permanente da unidade produtora/produtor.

A água deve ser de boa qualidade sendo de suma importância a preservação das matas ciliares para que a perenidade de córregos, rios e açudes naturais sejam mantidos.

Na época das secas a unidade produtora/produtor deve ser previdente planejando de forma estratégica a alimentação e a suplementação, através de confinamento ou semiconfinamento.


4- Manejo reprodutivo

A unidade produtora/produtor deverá informar e registrar os dados do programa reprodutivo de seu rebanho, dando ênfase ao registro de nascimento de animais bem como a paternidade dos mesmos.

Portanto, se a propriedade utilizar o sistema de monta natural utilizando reprodutores múltiplos, ou seja, vários touros com um único lote de vacas, a unidade produtora/produtor deve agrupar os touros em lote, anotando na paternidade o número do lote em questão, como o exemplo abaixo:

Um lote de 10 touros, a unidade produtora/produtor deve agrupar esses touros em um lote, atribuindo a esse lote o numero: 01.O registro do pai de um bezerro nascido nesse sistema de produção será: lote n.º01


5- Manejo sanitário

A unidade produtora obrigatoriamente deve seguir os programas sanitários do MAPA, e sempre observar:




- Cuidados na administração de antibióticos, vermífugos e pesticidas, observando o prazo de carência do fabricante, e local correto da aplicação, conforme a figura;

- Registrar a aplicação de medicamentos em fichas de campo, anotando o laboratório, partida, número da nota fiscal, etc;

- Especial cuidado com a eliminação de cadáveres de animais, restos de animais mortos e ossadas, não permitindo a ingestão acidental de matéria orgânica pelos animais de sua criação;

- Combater sistematicamente as parasitoses;

- Atentar para a comunicação imediata das autoridades sanitárias quando da ocorrência de doenças infecto-contagiosas na sua propriedade.


6- Embarque e transporte dos animais

O cuidado no manejo do embarque e transporte dos animais contribuirá para a obtenção de produtos cárneos de melhor qualidade, sendo assim sugerimos:

- Observar a dieta hídrica dos animais antes do embarque.

- Evitar o estresse dos animais através de manejo de embarque com a maior calma possível, sem gritos, utilização de cães, pancadas, etc.

- Currais de bom acabamento, lisos e desprovidos de objetos que possam ferir os animais e causar dano ao couro.

- Rampa de embarque construída de forma a permitir o fácil acesso dos animais aos veículos transportadores.

- Embarque dos animais nas horas do dia em que a temperatura esteja mais amena.

- Dar preferência a frotas transportadoras em que os veículos tenham as gaiolas dos animais em bom estado e objetos que possam causar ferimentos e danificar o couro.


7- Peso da carcaça quente

Para obter bons rendimentos e classificações de cortes para os mercados externo e interno, as carcaças dos novilhos castrados ou inteiros deverão pesar na ocasião do abate no mínimo 240 kg, tendo como ideal um peso de 255 kg.


8- Avaliação subjetiva do grau de acabamento no animal vivo

A avaliação visual é uma boa alternativa, desde que bem praticada, para estimar o grau de acabamento em animais, e para enviar animais bem acabados ao frigorífico, aumentando assim a vantagem competitiva do setor.

Existem alguns pontos básicos de referência no animal para esta avaliação no desenho.




Pontos a serem observados:

- 12ª/13ª costela: deve apresentar uma cobertura de gordura, havendo um aparente aumento na circunferência das vértebras.

- Vértebras curtas do lombo: o ideal é ter uma cobertura de gordura que faça com que as vértebras não sejam mais percebidas visualmente.

- Anca, Garupa, Picanha (região do P8) e soldra (região da coxa): deve conter uma boa cobertura de gordura, sem apresentar excessos.

- Virilha: deve apresentar a pele do “vazio” aparentemente mais pesada devido ao acúmulo de gordura nesta região.

- Antebraço: é uma região que não acumula muita gordura.

- Maça do Peito: deve apresentar uma boa cobertura de gordura, mas não excessivamente.

- Paleta: esta região deve ser um indicativo de acabamento, sem ocorrer excessos.

- Base da Cauda e Osso do Ílio: deve apresentar uma boa cobertura de gordura. O ideal seria que o osso sacro não pudesse ser visualizado, mas sem apresentar excessos de gordura.

- Soldra (região do patinho) e Culote (nádegas): devem apresentar um acabamento, podendo ser visualizado através de pequenos maneios de gorduras que durante o movimento do animal se "penduram" no corpo e estremecem com a ação e o enrijecimento do músculo.

Estes são os principais pontos para se visualizar o grau de acabamento. Quanto maior for o acúmulo de gordura nestas regiões, maior será o grau de acabamento na carcaça, o qual deve estar sempre em um nível intermediário, sempre em equilíbrio, não apresentando excesso e nem escassez.


9- Maturidade fisiológica

A maturidade fisiológica pode ser observada através da dentição do animal, associando o número de dentes incisivos permanentes à idade cronológica, de acordo com a tabela abaixo:







A maturidade fisiológica constitui um bom indicador de qualidade da carne porque "quanto mais novo o animal melhor a carne". Mas essa condição não é o suficiente para se ter uma carne de boa qualidade. Este animal também deverá apresentar um bom grau de cobertura de gordura e um peso adequado de carcaça.